O espírito da viagem

Esta viagem começa numa tarde da minha infância. Tinha 11 ou 12 anos e os livros infantis estavam a ser paulatinamente substituídos pelas tramas policiais engendradas por Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, uma evolução natural para quem tinha seguido com entusiasmo os mistérios de Os Cinco. Os quatro primos e o Tim nunca encontravam cadáveres. Mas eles eram o ingrediente fundamental das histórias narradas pelos meus novos companheiros. Ao homicídio, Christie juntava amiúde o exotismo das terras longínquas. Crime no Expresso do Oriente, Morte no Nilo e Morte entre Ruínas estão entre os livros que li nesse tempo e a que ainda hoje volto com entusiasmo, apesar de já saber há muito quem são os assassinos.

Fui conduzida por um tailandês todo sorrisos, mas de poucas palavras – adivinho a comunicação entre nós difícil – que conduziu prudentemente a sua van, apesar do trânsito intenso.

Viver em Pequim e circular por esta cidade equivale a viver em dois mundos, que não são distintos, pois estão a cruzar-se de forma tão pacífica como paulatina. É impossível não constatar a existência de dois mundos ou duas épocas, que convivem no quotidiano.