Viagem a uma ideia da América e o fora cá dentro

Muitos de nós terão presente no seu imaginário uma noção da América- como informalmente nos referimos aos Estados Unidos da América, e como eles próprios escolhem apresentar-se, o que não deixa de ser indicativo da própria psique nacional que reclama para si a denominação continental – largamente baseada no seu excepcionalismo como nação. O sonho americano – a noção de que qualquer pessoa consegue ser bem sucedida desde que se dedique a esse propósito – é tão endémico como tarte de maçã.

Uma montanha de livros… um conjunto interminável de obras interessantes (umas mais interessantes do que outras, é um facto), e sempre tão pouco tempo e disposição para ler todos os livros que compramos (que eu compro, melhor escrevendo!).

Julgo não me enganar se afirmar que, para a grande maioria das pessoas, a menção do nome Bórgia ilumina na sua galeria de sinónimos, num reflexo quase pavloviano, as palavras luxúria, veneno, homicídio, violência, incesto, e ainda crueldade, nepotismo, falsidade ou heresia, para só nomear as mais lisonjeiras.

Em tempos de confinamento social como os que por estes dias atravessamos, uma das coisas (entre tantas pequenas e grandes que fazem os nossos dias em tempos ditos “normais”) sacrificada é o convívio presencial com os amigos.

Assim está escrito no livro de Génesis, na versão latina da Bíblia. Da tradução, resulta uma forma mais conhecida, Faça-se luz, e a luz foi feita.
Esta passagem bíblica, fabulosamente representada por Michelangelo no tecto da Capela Sistina, é o ponto Alfa da Criação, o início de tudo, o momento em que as trevas se desvaneceram e a luz se perpetuou sobre a escuridão, para iluminar o universo criado por Deus.

O ano de 2020 começou insistindo em relembrar-nos que o ano anterior estava mais próximo do que divisões gregorianas pudessem sugerir. Ninguém exemplificou isso melhor do que o presidente americano quando, a 3 de Janeiro, anunciou que tinha eliminado o líder dos Quds do Irão.

Vivemos tempos estranhos. Viveremos tempos mais auspiciosos mesmo que as coisas tenham de piorar antes de melhorar. Haverá um mundo a construir após a pandemia. Grandes crises representam grandes perigos, mas também enormes oportunidades.

O ano de 2020 iniciou-se para mim com um peculiar toque de brasilidade, proporcionado por alguns dias de visita à região amazônica, cujo esplendor seduz de imediato, sem qualquer chance de escape, e permanece retido nas memórias de quem por lá se aventurou.

Aparentemente de resposta evidente, esta é talvez uma das perguntas que, entre amigos, mais divide opiniões. Há os que, como que enfeitiçados pelo génio de Musk[1], não hesitam em responder afirmativamente, os que, pelo contrário, não chegam a considerar essa hipótese e, por fim, aqueles que, por motivos vários, se incluem nos nem-nem. Na verdade, em todos os grupos há sempre um nem-nem.

Antes de introduzir o artista que é o tema deste texto, peço aos leitores da Epulata que façam um rápida pesquisa no Google, como imagino que a maior parte das pessoas fazem quando se deparam com um nome ou um tópico que não conhecem. Pesquisem: António Soares.