Quando eu era pequena vivia num pequeno oásis lisboeta, circundado de choupos de copas gigantes, com campos relvados do mais verde que há e arbustos com flores tipo confetti, que eu e o meu bando adorávamos arrancar e atirar uns aos outros.

Consegui atrair a enorme e grotesca lagarta para fora de casa graças a um rasto de madeira que fui deixando. Todos os pedaços que encontrava eram para ela. Foi comendo até chegarmos ao armazém.

Vieram-me à memória, em torrente, imagens de mim pequena, em que aguardava a chegada da minha avó ao fim do dia a casa, com os seus bonitos saias-casaco e sapatos de salto alto.

Sentados à mesa de um restaurante, cada um com uma imperial à frente e com o jantar escolhido, Germano estava pronto para prosseguir o seu relato.

É chegado o momento de dar testemunho dos estranhos acontecimentos que presenciei há tantos anos atrás. Nunca me foi pedido silêncio, é certo. Mas o meu bom senso fez-me desde sempre sentir que devia exercer alguma discrição quanto ao que vi e ouvi. Foi isso que fiz.

Fui conduzida por um tailandês todo sorrisos, mas de poucas palavras – adivinho a comunicação entre nós difícil – que conduziu prudentemente a sua van, apesar do trânsito intenso.