Quando eu era pequena vivia num pequeno oásis lisboeta, circundado de choupos de copas gigantes, com campos relvados do mais verde que há e arbustos com flores tipo confetti, que eu e o meu bando adorávamos arrancar e atirar uns aos outros.

A quarentena tem destas coisas. Livros, CDs, filmes e documentários sempre adiados ganham tempo e espaço para, finalmente, entrarem na nossa vida. Uma das minhas escolhas foi Dennis McShade, pseudónimo de Dinis Machado (1930-2008).

Aquele sítio distante, onde íamos uma vez por ano, nas férias grandes, num autocarro sem ar condicionado que saía do Campo Pequeno às sete da manhã e chegava a Chaves já depois do lusco fusco das sete da tarde. Eram viagens intermináveis, quase tão longas quanto a Odisseia de Ulisses.

Viagem a uma ideia da América e o fora cá dentro

Muitos de nós terão presente no seu imaginário uma noção da América- como informalmente nos referimos aos Estados Unidos da América, e como eles próprios escolhem apresentar-se, o que não deixa de ser indicativo da própria psique nacional que reclama para si a denominação continental – largamente baseada no seu excepcionalismo como nação. O sonho americano – a noção de que qualquer pessoa consegue ser bem sucedida desde que se dedique a esse propósito – é tão endémico como tarte de maçã.

Sou latino-americana, mas o que significa isso?

Até a minha adolescência, meu pertencimento à latino américa era titubeante, sentia que a civilização estava na Europa e que nós, abaixo da linha do Equador, éramos terceiromundistas, precisávamos caminhar na direção das luzes para estar próximo ao mundo desenvolvido. O iluminismo estava aí para nos mostrar que, com a modernidade, tínhamos sido divididos em antes e depois: estávamos nós ainda no antes, seres mágicos e míticos, sem uma cultura com envergadura, envoltos em crendices e dialetos, tendo como bússola o norte.

Mais do que um livro, Terra Americana é um fenómeno. No dia seguinte ao da publicação do romance nos Estados Unidos da América, em Janeiro deste ano, Oprah Winfrey anunciava-o como o livro seguinte do seu clube de leitura.

James Baldwin tinha 24 anos quando chegou a Paris com apenas um punhado de dólares no bolso, a vontade de escapar à discriminação e o desejo feroz de dedicar a sua vida à escrita.

Nascido na primeira parte do século XVIII Francisco Almeida integrou um conjunto de compositores portugueses enviados para Roma por D. João V, com o objectivo de aí estudarem. Pretendia o monarca aproveitar as riquezas que afluíam a Lisboa para renovar a a vida artística e cultural do nosso país.