O ano de 2020 iniciou-se para mim com um peculiar toque de brasilidade, proporcionado por alguns dias de visita à região amazônica, cujo esplendor seduz de imediato, sem qualquer chance de escape, e permanece retido nas memórias de quem por lá se aventurou.

Aparentemente de resposta evidente, esta é talvez uma das perguntas que, entre amigos, mais divide opiniões. Há os que, como que enfeitiçados pelo génio de Musk[1], não hesitam em responder afirmativamente, os que, pelo contrário, não chegam a considerar essa hipótese e, por fim, aqueles que, por motivos vários, se incluem nos nem-nem. Na verdade, em todos os grupos há sempre um nem-nem.

Do que nos lembramos quando pensamos nas nossas origens? Com certeza, e de imediato, lembramo-nos dos nossos pais e avós. Possivelmente, há quem tenha ainda na sua memória uma bisavó já muito velhinha que ia visitar quando era criança ou adolescente.

E assim chega dezembro, o último mês de um ano que às vezes parece estar ainda a começar, tal não foi a rapidez com que passou por nós. Isso e a multiplicidade de acontecimentos, efeito agridoce de vivermos em tempos interessantes.

A recente série de polémicas envolvendo a deputada Joacine Katar Moreira teve o inesperado efeito de evidenciar interessantes e preocupantes dinâmicas no panorama politico-mediático português. Algumas serão fruto da sua introdução na nova disposição parlamentar, enquanto outras têm raízes em fenómenos que, em grande parte, fogem ao controlo da parlamentar.

A ralé, no sentido assegurado por Hannah Arendt, o refugo de todas as classes, se tornou a classe dos burocratas, são os nossos novos senhores. A ralé está no poder.

Mais do que recordar este ou aquele episódio tenho procurado nos últimos tempos, encaixar num todo (“eu”) os vários acontecimentos da minha vida. É a preocupação de quem, aos 89 anos, encerra um passado longo e um futuro curto. Mas o empreendimento não me deixou tranquilo.

O Luís escreve-nos sobre pseudociência e deixa um conselho “mais do que nunca, é necessário critério na escolha de informação, capacidade de análise, ser-se crítico, e ter uma boa dose de cepticismo, ou, pelo menos, o melhor que se conseguir ser”.
Esteja atento e leia tudo aqui.

Os tempos mais recentes têm-nos oferecido muitos exemplares de literatura distópica. Mas, considerando os ventos que correm, seria bom que surgissem novos propostas de organização sócio-política assentes no direito de todos a uma vida feliz.