Como ciência que estuda o passado da humanidade, analisando os acontecimentos e processos já decorridos, a História tem ela própria sofrido ao longo do tempo transformações, decorrentes dos avanços científicos, das mutações políticas, sociais, económicas e culturais que lhe permitiram integrar novas abordagens, novas metodologias e novos campos de investigação.

O ano de 2020 iniciou-se para mim com um peculiar toque de brasilidade, proporcionado por alguns dias de visita à região amazônica, cujo esplendor seduz de imediato, sem qualquer chance de escape, e permanece retido nas memórias de quem por lá se aventurou.

Aparentemente de resposta evidente, esta é talvez uma das perguntas que, entre amigos, mais divide opiniões. Há os que, como que enfeitiçados pelo génio de Musk[1], não hesitam em responder afirmativamente, os que, pelo contrário, não chegam a considerar essa hipótese e, por fim, aqueles que, por motivos vários, se incluem nos nem-nem. Na verdade, em todos os grupos há sempre um nem-nem.

Antes de introduzir o artista que é o tema deste texto, peço aos leitores da Epulata que façam um rápida pesquisa no Google, como imagino que a maior parte das pessoas fazem quando se deparam com um nome ou um tópico que não conhecem. Pesquisem: António Soares.

Do que nos lembramos quando pensamos nas nossas origens? Com certeza, e de imediato, lembramo-nos dos nossos pais e avós. Possivelmente, há quem tenha ainda na sua memória uma bisavó já muito velhinha que ia visitar quando era criança ou adolescente.

E assim chega dezembro, o último mês de um ano que às vezes parece estar ainda a começar, tal não foi a rapidez com que passou por nós. Isso e a multiplicidade de acontecimentos, efeito agridoce de vivermos em tempos interessantes.

A recente série de polémicas envolvendo a deputada Joacine Katar Moreira teve o inesperado efeito de evidenciar interessantes e preocupantes dinâmicas no panorama politico-mediático português. Algumas serão fruto da sua introdução na nova disposição parlamentar, enquanto outras têm raízes em fenómenos que, em grande parte, fogem ao controlo da parlamentar.

A ralé, no sentido assegurado por Hannah Arendt, o refugo de todas as classes, se tornou a classe dos burocratas, são os nossos novos senhores. A ralé está no poder.

Mais do que recordar este ou aquele episódio tenho procurado nos últimos tempos, encaixar num todo (“eu”) os vários acontecimentos da minha vida. É a preocupação de quem, aos 89 anos, encerra um passado longo e um futuro curto. Mas o empreendimento não me deixou tranquilo.