É o outono, estúpido, e neste que começa ouvem-se as vozes de algumas mulheres que encarnam bruxas, resistem a um aparente fim dos tempos e se dispõem ao sacrifício numa pilha de livros vulneráveis.

No meio da algazarra que me rodeia, de que sinto uma ténue vibração transmitida pelos grãos de areia, só existe a renda rítmica do house eletrificado dos Hot Chip.

Algures, num dos percursos erráticos, guiado pelo milagre da tecnologia (tenho o sentido de orientação de uma criança de meses), uma placa de sinalização leva-me à Tiergarten do Rufus Wainwright.

A Paixão segundo S. João, de J. S. Bach, por João Pedro Baptista

Quando, na tarde daquela Sexta-feira Santa do ano de 1724, os fiéis se instalaram nos bancos da Nikolaikirche, em Leipzig, não imaginavam a revolução musical que iriam presenciar nas horas seguintes. Anunciava-se a apresentação de uma nova Paixão, composta pelo recente titular do cargo de kantor.

Banda Sonora Nada Original por Pedro Faria
Há pouco mais ou menos de três anos, num assomo de idiotia, decidi programar o telefone para me despertar ao som da música Ready to Start dos Arcade Fire. A ideia era de génio: para lá da bonita e evidente alegoria matinal que o título promete, aquela pancadaria iluminada em que os mil instrumentos e as vozes se envolvem ia fazer-me dançar para fora da cama e avançar pelo dia. O Win Butler e a Régine Chassagne iriam escolher-me a roupa, preparar-me o pequeno-almoço orgânico e levar-me à porta de casa. Todos os dias seriam gloriosos.

Made in South Korea por Teresa Carvalhal
Mal calculava eu que Park Jae-Sang (mais conhecido por PSY), que disse em entrevista que o seu segredo era “dress smart, dance cheesy” abria caminho para que o k-pop chegasse a um público mais genérico, já que apenas algumas pessoas o conheciam e apreciavam. Eu própria ouvi esse termo várias vezes sem saber o que era, ou que piada teria ouvir pop coreano.