É chegado o momento de dar testemunho dos estranhos acontecimentos que presenciei há tantos anos atrás. Nunca me foi pedido silêncio, é certo. Mas o meu bom senso fez-me desde sempre sentir que devia exercer alguma discrição quanto ao que vi e ouvi. Foi isso que fiz.

Uma escritora sul-coreana chega ao inverno de Varsóvia para uma residência literária.
Instala-se no apartamento que escolheu e cobre com tinta branca o número da porta, grosseiramente entalhado por um instrumento perfurante, que há de ter sido empunhado por uma mão inábil e negligente.
O apartamento tem agora uma porta branca e para lá dela o espaço desconhecido que a escritora passará, por sua vontade, a ocupar.

Fui conduzida por um tailandês todo sorrisos, mas de poucas palavras – adivinho a comunicação entre nós difícil – que conduziu prudentemente a sua van, apesar do trânsito intenso.

A peça é de 1977. A protagonista é Joana, mulher de grande vitalidade e energia que emprega para prover materialmente e em cuidados seus dois filhos menores, frutos de seu relacionamento com Jasão. Para ela, a vida não era “jogo, piada, risada, paz”.

Milkman, de Anna Burns, transporta-nos a uma época que podemos situar no fim da década de 60 e meados da década de 70. Não refere a cidade onde tudo acontece, mas deduzimos que seja algures na Irlanda do Norte em pleno conflito (The Troubles)

Rosa cresceu a ouvir dizer uma menina não fazia isto, uma menina não fazia aquilo. Uma espécie de treino para a senhora que – esperavam eles – depois a menina viria a ser. Uma menina não levanta as pernas, uma menina não se atira ao chão, não bebe…

844 dias depois do seu início, a 15 de Fevereiro de 2017, chegou ao fim a mais ambiciosa empreitada de leitura a que alguma vez me propus: a leitura integral da “Comédia Humana” [La Comédie Humaine].

A minha infância foi bombardeada por imagens de África. A fome, a seca, as guerras civis, rostos de crianças esfomeadas. Foi a época do Band Aid, do “Do They Know It’s Christmas?”

As amizades masculinas eram limitadas por uma certa ambiência erótica, promessa realizada ou apenas sonhada. As mulheres eram rivais, divididas entre a admiração e a inveja.