Rosa cresceu a ouvir dizer uma menina não fazia isto, uma menina não fazia aquilo. Uma espécie de treino para a senhora que – esperavam eles – depois a menina viria a ser. Uma menina não levanta as pernas, uma menina não se atira ao chão, não bebe…

844 dias depois do seu início, a 15 de Fevereiro de 2017, chegou ao fim a mais ambiciosa empreitada de leitura a que alguma vez me propus: a leitura integral da “Comédia Humana” [La Comédie Humaine].

A minha infância foi bombardeada por imagens de África. A fome, a seca, as guerras civis, rostos de crianças esfomeadas. Foi a época do Band Aid, do “Do They Know It’s Christmas?”

Foi em 1955 que, pela primeira vez, Mujica Láinez tomou conhecimento da existência de misteriosas esculturas sitas num quase desconhecido jardim italiano. Foi em 1958 que visitou, pela primeira vez, as monstruosas estátuas de pedra do Bosco Sacro, sito na localidade de Bomarzo, algures a meio caminho entre Florença e Roma

Inês nasceu e sempre viveu em Marvila. Não conhecia outra vida que não a do bairro. Vivia com a mãe, na Rua do Açúcar, numa casita pintada de azul-pavão para disfarçar as rachas e sinais de humidade.

Dezassete por Isabella Voltinhas

Quarenta anos já feitos. Com sorte, estava a meio da vida. Cheguei a casa cansada. Não era novidade nos últimos tempos. Tomei um duche enquanto ouvia, pela enésima vez, “Seventeen” da Sharon Van Etten e enfiei o pijama enquanto tentava dançar atabalhoadamente ao ritmo da batida. Era sexta-feira.

Gente Pequena por Antónia Sá.
Chegou o famigerado fim-de-semana onde me cabe a mim cumprir a promessa que fiz aos meus filhos:”Siiimm, é este fim-de-semana que a prima cá vem dormir. Mas têm que se portar bem.”