No radar

Dois Atlas

por Carla Coelho

E pronto, eis-nos de novo confinados com todas as incertezas e dificuldades que conhecemos e por isso me dispenso de enumerar. Não posso dizer que este tempo esteja a ter coisas boas. Não sou socióloga, economista ou psicóloga pelo que os efeitos a médio e longo prazo que vislumbro são provavelmente os que quem nos lê também consegue imaginar. Aqui na Epulata sentimos a mesma apreensão que todos os demais e procuramos forma de ultrapassar esta situação do melhor modo possível. Não apenas sobreviver (o que já é bom), mas se possível viver com alegria e algum encantamento. A mim, os livros têm-me ajudado. Hoje falo de dois, um destinado a leitores mais pequenos e outro pensado para os adultos, essa pesada categoria que não se sabe bem onde começa. De qualquer modo, em bom rigor são duas obras que encantam leitores de todas as idades, em particular os que sentem o apelo das viagens.

O primeiro tem textos de Isabel Minhós Martins e ilustrações e design gráfico de Bernardo P. Carvalho. É editado pela Planeta Tangerina e chama-se “Atlas das Viagens e dos Exploradores de Todos os Tempos e Lugares”. Pytheas, Giovanni da Pian del Carpini, Bartolomeu Dias e Jeanne Baret são apenas alguns dos nomes que nos são dados a conhecer, numa obra que enaltece a curiosidade e o interesse pelo outro.

O segundo é um trabalho de Edward Brooke-Hitching publicado entre nós pela Bertrand. Tem como título O Atlas Dourado – As grandes expedições e descobertas de em mapas. É uma história de viagens servida por belíssimas ilustrações. Inicia-se no mundo antigo, apresenta-nos viagens árabes, do Oriente e de diversos pontos da Europa, incluindo aqui deste jardim à beira-mar plantado. Os Viquingues (que afinal descobriram a América), a circum-navegação científica de Bougainville, misteriosos desaparecimentos de tripulações inteiras (que isto da aventura não corre sempre bem) e viajantes como Mary Montagu ou Mary Kingsley transportam-nos para outros tempos e espaços e renovam-nos a esperança de um dia destes lhes seguirmos os passos. Afinal, como escreveu T.S.Elliot em linhas que encerram este livro “Não deixaremos de explorar e o fim de toda a nossa exploração será chegar aonde começámos, e conhecer o local pela primeira vez”.