No radar

Dark

por Fernando M.

Dark é uma das melhores séries do Netflix.

Não sou eu que o digo é o mestre do suspense e do horror – Stephen King – que no twitter publicou muito recentemente: “DARK (Netflix) is dark and complex…and…well…very German. Terrific show. (…) You think the world is going to shit, then you find out other people are watching DARK and you say THANK YOU GOD, THERE’S HOPE!”.

A série alemã da autoria de Baran bo Odar e Jantje Friese é o programa de sonho para qualquer apreciador de ficção: um argumento complexo, com bons diálogos, um elenco de atores excelentes, muito verosímeis, e uma produção primorosa em todos os detalhes.

Concebida originalmente para apenas comportar três temporadas, cada episódio parece ter sido escrito a régua e esquadro, envolvendo o espectador a cada minuto. Nada é por acaso; nenhuma palavra, cenário, objeto ou cena está lá apenas por estar. Há um propósito narrativo em cada escolha, que nos agarra e prende na ânsia de querer saber mais e mais sobre aquele mundo, aquelas personagens e o seu desfecho.

Não querendo cometer o pecado capital de revelar spoilers posso começar por dizer que a ação da série decorre na pequena cidade fictícia de Winden, na Alemanha. Lá encontramos o nosso protagonista – Jonas – que acaba de perder o pai, que se suicidou, e descobrir que a rapariga de quem gosta – Martha – está a namorar com o seu melhor amigo.

Logo no primeiro episódio ficamos também a saber que a cidade vive o drama do desaparecimento de rapazes, sem que exista alguma pista do seu paradeiro. A partir do desaparecimento de mais uma criança o enredo começa a revelar-se expondo ao pouco os segredos de quatro famílias que se interligam, enquanto surge a certeza da possibilidade de viajar no tempo…a pergunta não é onde estão as crianças, quem as levou ou como. A pergunta é: quando?

O tema das viagens no tempo embora não sendo novo encontra em Dark uma abordagem inovadora, que se traduz na forma como se realizam as viagens, na apresentação misteriosa das personagens, nas suas motivações, nos confrontos que estabelecem entre si ou na forma como criam relações umas com as outras ou consigo mesmas, quando o passado, presente e futuro se reúnem no mesmo contínuo.

O começo é o fim e o fim é o começo. Esta é uma das muitas frases que encontramos ao longo da série, que a sintetizam e que revelam que apesar do pretexto narrativo da série ser de ficção científica aquela é, na verdade, sobre a humanidade, as nossas escolhas, erros, acertos e arrependimentos. É, como qualquer boa história, sobre o bem e o mal, especialmente sobre o bem e o mal que cada um de nós contém em si e a capacidade de redenção que devemos almejar ter.

Se começo é o fim e o fim é o começo, eu termino como comecei: Dark é uma das melhores séries do Netflix. São vinte seis episódios que vão fazer do seu ócio, tempo muito bem gasto.