No radar

Gauguin na National Gallery

por Carla Coelho

Janeiro é um mês difícil para muitos de nós. É longo, frio e chuvoso deste lado do hemisfério e, depois da festa constante de Dezembro, estranhamente circunspecto. Se a celebração não vem até nós, vamos nós ao seu encontro. Uma boa via para isso mesmo é dar um salto a Londres, mais precisamente, à National Gallery. Para além do acervo habitual até 26 de Janeiro deste ano há um motivo adicional para fazer uma visita: a exposição dos trabalhos de Paul Gauguin.

Nascido em Paris a 7 de Junho de 1843, Gauguin era filho de um jornalista francês e de uma escritora peruana. Passou parte da infância no país natal da mãe, regressando a França com 17 anos. Durante parte da sua vida adulta dividiu-se entre o trabalho na Bolsa e a pintura. Até ao dia em que largou tudo (incluindo a mulher e vários filhos) rumando para a Polinésia Francesa. Ali viveu durante 10 anos, produzindo grande parte da obra pictórica que o tornou famoso.

Diga-se que o sucesso não chegou até ele em vida. Só depois de morto foi reconhecido pela crítica e pelo público, estando hoje integrado em colecções públicas e privadas em todo o mundo. Os cinquenta trabalhos agora em exposição permitem conhecer ou recordar a sua técnica e alguns temas de eleição. A personalidade de Gauguin, essa, o tempo não apagou. Serviu de inspiração ao escritor inglês Somerset Maugham em Um gosto e seis vinténs e continua a criar polémica nestes tempos politicamente correctos, atendendo ao modo como retrata os povos da Polinésia Francesa e às aventuras que por lá viveu e que deixou registadas no livro Noa Noa.