No radar

Mercados de Natal

por Teresa Carvalhal

No passado dia 25 de Novembro começaram os mercados de Natal (Weinachtsmärkte) na Alemanha, berço dos mesmos. Por cá também temos feiras, mercados e aldeias de Natal durante esta quadra, mas não são comparáveis.

Estive então no meu primeiro mercado natalício, na Innenstadt de Frankfurt am Main.

De gorro, luvas, parka e cachecol lá fui a pé percorrer os mercados facilmente identificáveis através das luzinhas coloridas, da música, das pequenas casinhas com decoração extremamente cuidada e muita atenção ao detalhe, como é característico do povo alemão. O Natal é uma quadra importante e, como tal, deve ser celebrada. Sente-se o espírito natalício no ar o que, numa atmosfera que nos lembra tanto um postal de Boas Festas, não deixa de apelar ao nosso lado de criança. Cada uma das pequenas casinhas de madeira está decorada com luzes, estrelas, doces típicos, biscoitos de vários formatos com sabor a chocolate e especiarias, bolinhos de amêndoa, alguns com tradições ou lendas associadas, bolachinhas de gengibre, entre outros artigos, comestíveis ou não. A mera disposição dos artigos expostos é um elemento decorativo.

A oferta gastronómica é extensa e para todos os gostos: a tradicional salsicha alemã, cozinhada de várias maneiras e com molhos prontos a sair ao gosto dos visitantes, batatas fritas ou assadas com molho ratzik ou Sauer-Soße, crepes, waffles, os inevitáveis biscoitos, bolos e a indispensável cerveja e o tipicamente natalício vinho quente com especiarias (Glühwein) que aquece as mãos e a alma. Bom, reconfortante, pouco doce e pouco alcoólico (ou pelo menos quero eu acreditar que sim). Uma autêntica explosão de cardamomo, canela, laranja e anis estrelado no palato, se falarmos do clássico. Para além desse há opções com cereja, sem álcool, até mesmo com maior teor alcoólico. Fiquei-me pelo clássico.

O Glühwein é servido em canecas bastante kitsch e ronda os € 4 ou € 7 se nos quisermos «esquecer» de devolver a caneca. Nada que quem serve não esteja já à espera. Daí termos de devolver a caneca se quisermos reaver o depósito. Se não quisermos, temos um souvenir bem kitsch. Que ninguém se assuste com a extensão das filas para o atendimento, porque lá o serviço é extremamente rápido.

Estando ali na zona e uma vez que o mercado abre às 17 h. e encerra pelas 21 h. podemos provar o também típico, embora não natalício, Jäeger Schnitzel (que é tão mais do que um mero panado…) com molho verde de sete vegetais, por exemplo. Isto tudo pode ser acompanhado por cerveja alemã ou Appfelwein, que é uma espécie de sidra.

Não pretendo fazer um roteiro turístico nem gastronómico de Frankfurt. Apenas sugerir a quem lê um destino para um fim de semana prolongado neste período festivo, pela casa, não do Pai Natal, mas dos mercados de Natal. Afinal está aqui relativamente perto e é uma experiência que vale a pena viver.

(imagens: Shutterstock / em destaque: Ralph Peters/Archiv/imago images )