No radar

Activist Gloria Steinem, founder of Ms. Magazine, speaks during a Bloomberg Television interview at the 2017 MAKERS Conference in Rancho Palos Verdes, California, U.S., on Monday, Feb. 6, 2017. MAKERS partners with companies and organizations to celebrate and acknowledge their female employees and connect them to a larger network. The conference tackles issues ranging from violence against women to inclusion of men. Photographer: Patrick T. Fallon/Bloomberg via Getty Images

The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off!, de Gloria Steinem

por Filipa Gonçalves

Gloria Steinem é escritora, activista política e organizadora feminista. Fundou as revistas New York e Ms e é autora de muitas obras, entre as quais My Life on the Road (provavelmente a minha favorita), Moving Beyond Words, Revolution from Inside e Outrageous Acts and Everyday Rebellions.

Co-fundou, entre outros organismos, o Comité Político Nacional de Mulheres, e recebeu numerosos prémios pelos seus escritos, entre os quais o National Magazine Award, o Lifetime Achievement in Journalism Award, o Society of Writers Award das Nações Unidas e o Prémio da Liberdade do Museu Nacional dos Direitos Civis.

Durante décadas, particularmente em tempos de crises, e concordando-se ou não com as posições por ela assumida ao longo dos tempos, há que reconhecer a importância daquela que é conhecida informalmente como “A Feminista Mais Famosa do Mundo”.

Apesar das muitas controvérsias geradas em torno da sua figura, desde alegadas ligações à CIA, aproveitamento mediático aquando da elaboração, no início da sua carreira jornalística, de um artigo sobre as “Coelhinhas da Playboy”, acusações de mentir às mulheres induzindo-as a privilegiar a carreira profissional em detrimento da maternidade e até (pasme-se!) da circunstância – à qual é obviamente alheia – de ser uma mulher bonita, são muitos e, de todos os cantos do mundo, os que têm procurado orientação e esperança em torno das palavras de Steinem e do seu talento em produzir citações de conteúdo inspiracional e, sobretudo, mobilizador.

Actualmente com oitenta e cinco anos, não demonstra sinais de pretender abrandar. A prova desta afirmação está no lançamento, no passado dia 29 de Outubro, do seu novo livro: The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off! (Thoughts on Life, Love, and Rebellion), pela Random House, ainda sem edição em língua portuguesa.

Abordando tópicos que passam por relações (“Many are looking for the right person. Too few are trying to be the right person.”) passando pelo patriarcado (“Men are liked better when they win. Women are liked better when they lose. This is how the patriarchy is enforced every day.”); pobreza (“Planning ahead is a measure of class. Rich people can plan for generations ahead. Poor people plan for Saturday night”); racismo (“It’s not only that racism is all around us, it’s that racism is in us”); e activismo (“Revolutions, like trees, grow from the bottom up.”), trata-se de uma recensão de palavras de e pela sua autora, uma grande apreciadora de citações, apelidando-as de “poesia quotidiana”. Facilmente se compreenderá este gosto por quem, tendo sido organizadora de movimentos, terá sentido a necessidade de condensar as ideias subjacentes àqueles em palavras de ordem claras e simples.

Não se tratando de um trabalho original, o livro possibilita um contacto inicial com a figura e o seu trabalho. A autora aproveita a oportunidade para abordar as citações ou slogans que deixaram de ter relevância para si – por vezes fruto do amadurecimento e alterações do seu pensamento sobre certas questões – e chamar à atenção para palavras, para ela inspiradoras de amigos. Toni Morrison, Flo Kennedy, Margaret Atwood e Audre Lorde são apenas alguns exemplos.

Nas palavras mais antigas e mais recentes de Steinem há uma constante: a esperança. Isto basta para recomendar a sua leitura.