No radar

O Vosso/Nosso Futuro É Agora – Olafur Eliasson em Serralves

por Filipa Gonçalves

Olafur Eliasson é conhecido pelas suas esculturas e instalações em grande escala, nas quais emprega elementos como a luz, água, temperatura do ar para enriquecer a experiência do espectador. Nelas traça um caminho exploratório do espaço comum entre arte e ciência

Neste contexto, o artista e activista ambiental, recentemente nomeado Embaixador de Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, vem empreendendo vários projectos em espaços públicos, incluindo The Weather Project (2003) o Serpentine Gallery Pavilion (2007), no Reino Unido, The New York City Waterfalls (2008), em Nova Iorque, Your Rainbow Panorama (2006-2011), na Dinamarca, e Waterfall (2016), em Versailles, onde perscruta as relações do homem e o meio.

Pela primeira vez em Portugal com a exposição O Vosso/Nosso Futuro É Agora, no Museu e Parque de Serralves, Eliasson impele-nos a percorrer uma série de instalações e de esculturas evocativas de ciclos, arcos e curvas, plenas de movimento, colocadas tanto no exterior como no interior, com o propósito da construção de um diálogo entre os dois espaços.

No notável Parque de Serralves, junto à Alameda dos Liquidâmbares, encontramos um pavilhão, The curious vortex (2019), com um turbilhão na forma de um vórtice e, mais à frente, três novas esculturas, Human time is movement (winter, spring, summer) (2019), formadas por uma série de espirais de aço inoxidável, preto e branco, concebidas especialmente para esta exposição; e ainda Arctic Tree Horizon (2019), troncos de árvores que parecem ter dado à costa revestidos a tinta preta, evocando o alcatrão usado para impermeabilizar os navios e, por extensão, as migrações.

No interior do edifício encontramos The Listening Dimension (2017), a provocar uma curiosa interacção entre o visitante e semicírculos emergentes de espelhos, susceptível de traduzir-se numa experiência mais imersiva se o visitante pudesse posicionar-se no interior dos semicírculos e deste modo percepcionar os mesmos, no jogo de espelhos, como completos (tal não sucederá por razões relacionadas com a fragilidade da obra, segundo informação prestada no local).

Também no interior, na galeria central, entramos na Yellow Forest (2017), uma floresta artificial de bétulas, desenhada em conjunto com o arquitecto paisagista Günther Vogt, dispostas num grupo circular e iluminadas por um anel de lâmpadas com o intuito de alterar a percepção do natural e do artificial.

Eliasson, de resto, assume que os seus trabalhos exigem um compromisso dos visitantes; dependem destes para co-produzi-los. Yellow Forest é um exemplo disto, podendo o visitante perder-se entre as folhagens amarelas, sem escapar, porém, à actualidade das temáticas tratadas: o futuro é mesmo agora.

“Vórtices, ciclos, espirais e correntes compõem O V/NOSSO FUTURO É AGORA – estão presentes nos troncos flutuantes, nas esculturas e no pavilhão instalado no exterior; nos anéis flutuantes e no bosque circular de árvores com folhas estranhamente amarelas no interior. Espero que na sua viajem através desta exposição sinta estes movimentos a um nível visceral e sinta como as trajetórias individuais de cada elemento se cruzam e se afetam umas às outras.”, são as palavras do artista a propósito da exposição.

A explorar, aproveitando para desfrutar a mudança de cor das folhas que um Outono no Parque de Serralves propicia.


Olafur Eliasson: O vosso/nosso futuro é agora.
Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea de Serralves.
Até 8 de Março 2020 (Museu ) e 14 de Junho 2020 (Parque)

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