No radar

“Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s”

por Filipa Gonçalves

Ontem foi um dia feliz para para todos os que gostam de fotografia mas para os madeirenses em particular.

Depois de cinco anos encerrado, o agora denominado “Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s”, espaço museológico desde 1982, reabriu ao público.

Vicente Gomes da Silva fundou, em 1848, o Atelier Vicente’s, o mais antigo estúdio fotográfico de Portugal, dando assim início ao serviço regular de fotografia na Madeira, revolucionado a documentação dos visitantes à ilha. O desenho, gravura e estampa ilustrativos das cenas e paisagens madeirenses cedem lugar à fotografia.

A partir desta data, os estrangeiros e visitantes passaram a poder ter o registo fotográfico da sua passagem pela ilha, e o estúdio tornou-se o local do referido registo. Foram inúmeras as personalidades fotografadas, entre elas a Imperatriz Elisabeth da Áustria “Sissi”, e suas aias, no Pátio da Quinta Vigia, durante a sua primeira estada da Madeira (c. 1860/61), o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia, em 1901, aquando da sua visita ao Funchal; os aviadores Carlos Viegas Gago Coutinho e Artur Sacadura Freire Cabral, oficial da armada Manuel Ortins de Bettencourt e mecânico Roger Soubiran durante a sua estada na Madeira após terem completado a primeira travessia aérea entre Lisboa e Funchal (26.03.1921); Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens no regresso da travessia de África da costa angolana à moçambicana (12.09.1885).

Esses registos podem voltar a ser vistos mas não é tudo. Do acervo do museu constam ainda cenários, onde os visitantes se poderão fazer fotografar, máquinas fotográficas, livros de fotografia e técnica, mobiliário de atelier e milhares de negativos.

O espaço reabre com uma exposição temporária, “Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX”, acessível até Outubro, mantendo, simultaneamente, uma exposição permanente representativa dos vários autores incluídos no acervo e na qual, para além dos retratos das personalidades já referidas, se encontram registos de quadros genuinamente madeirenses, como os passeios em levadas, nos carros de cesto, os transportes dos viajantes em rede, carros de bois e do próprio povo madeirense, ricos e pobres, memórias visuais das descrições de Raúl Brandão, no seu belo livro de viagens aos arquipélagos atlânticos, “Ilhas Desconhecidas”.

Se precisar de (mais) um pretexto para visitar a Madeira, aqui o tem.

(© Rui Marote)
(Rainha D. Amélia, Funchal, 1901, Vicente Gomes da Silva – imagem do retrato exposto)
(Imperatriz Elisabeth da Áustria, Funchal, c. 1860/61, Vicente Gomes da Silva – imagem do retrato exposto )

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