No radar

Grada Kilomba

por Carla Coelho

Nascida em Lisboa em 1968, Grada Kilomba é escritora, psicóloga, teórica e artista interdisciplinar. O seu trabalho tem como temas centrais o género, o racismo e o pós-colonialismo. A viver em Berlim há vários anos foi ali que publicou pela primeira vez o resultado da sua investigação, em 2008. Dez anos depois a obra conhece tradução portuguesa através da editora Orfeu Negro. Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Quotidiano. A edição brasileira foi o livro mais vendido na FLIP (Festa Internacional de Literatura de Paraty) de 2019.

Memórias da Plantação traça um retrato do racismo quotidiano nas suas múltiplas vertentes: estrutural (a exclusão das pessoas negras da maioria das estruturas sociais e políticas); institucional (um padrão de tratamento desigual no mercado de trabalho, nos sistemas educativo, de justiça criminal e serviços, com vantagens para a população branca); e quotidiano (o racismo que que se revela diariamente nas palavras, imagens, gestos e olhares que colocam o sujeito negro na posição de “outro” em relação ao branco). O livro centra-se nas experiências de duas cidadãs negras a viver na Alemanha, Kathleen e Alicia.

Ainda antes do sucesso alcançado em Paraty, Grada já era uma artista reconhecida mundialmente com trabalhos publicados e expostos em diversos museus pelo mundo fora. Por exemplo, na Bienal de São Paulo e na Dokumenta, em Kassel. Há dois anos atrás, apresentou no Porto a performance Illusions (Museu de Serralves) e inaugurou duas exposições em Lisboa: The Most Beautiful Language, nas Galerias Municipais, e Secrets To Tell, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT).

Neste momento, para além de podermos ler este seu livro, temos a oportunidade de mais uma vez ver a sua produção plástica. No Museu Calouste Gulbenkian, até 6 de Dezembro de 2019, está disponível Illusions, vol.I, Narcissus and Echo. Nesta instalação a artista oferece uma nova narrativa dos mitos gregos, recentrando-os na história do colonialismo. Para tanto, serve-se de técnicas como a narrativa oral africana, coreografia, teatro, música e filme, levantando a questão, sempre renovada, do sentido das histórias que nos contam e da permissão para as contar.

(Imagem em destaque: Grada Kilomba, Portrait I, Zé de Paiva, Berlim, 2017)

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