Sociedade

Uma Aventura pelo Oriente

por Joana Nascimento
Sailor Moon (©Madman Entertainment)

Não me lembro do dia exacto. Só sei que foi algures nos anos 90 quando tinha seis ou sete anos. Ainda estava na escola primária. Lembro-me de, no baloiço do recreio, cantar as canções de abertura das séries que via na televisão.

Ao princípio, foi apenas o desenho que me chamou a atenção. Por ser diferente. Apenas por isso. Depois, vieram as brincadeiras, a vontade de ser como aquelas personagens. Com o tempo, fui apurando o gosto. Aprendi a seleccionar as séries e os filmes e a listá-los por categorias inventadas por mim.

Mas do que escrevo? Escrevo sobre um mundo diferente. Um mundo cheio de cabelos espetados ou roupas demasiado curtas e apertadas. Um mundo onde existem dragões e titãs, espadachins e fadas, elfos e demónios. Um mundo onde as raparigas têm poderes extraordinários, os rapazes voam e lutam sem descanso. Um mundo onde a tecnologia contrasta com as mais belas paisagens e a mais apetitosa comida.

Um mundo que, apesar de vir do outro lado do nosso, nos diz tanto mas também nos ensina tanto sobre a amizade, o espírito de equipa e a persistência em seguir os nossos sonhos.

Sejam bem-vindos ao meu mundo: o mundo da Cultura Pop Japonesa, mais concretamente o mundo do anime.

Antes de vos escrever sobre o anime, importa saber que a cultura pop japonesa se divide em três categorias interligadas que são a Mangá, o Animé e o Cosplay.

A Mangá, que em japonês quer dizer «desenho fantástico», no ocidente designa a banda desenhada japonesa. Caracteriza-se essencialmente por ser impressa em folhas parecidas com as de um jornal, a preto e branco e em pequenos volumes e pelo sentido da leitura ser da direita para a esquerda, por colunas.

De seguida, temos o Animé, palavra que em japonês significa animação. No ocidente, representa toda a animação que vem do Japão ou de outro país asiático como a Coreia ou a China. É um estilo de animação e não um género, uma vez que consiste numa forma diferente de desenho.

Por último, apresento o Cosplay que não é uma palavra japonesa, mas sim uma junção de duas palavras inglesas. «Costume» e «Roleplay». O termo designa a arte de vestir e representar um personagem de uma série, filme, videojogo, livro, anime ou mangá, da forma mais fiel possível, desde roupa, cabelos, maquilhagem, acessórios e até a cor e o tamanho dos olhos! Muitos fatos e acessórios de cosplay são feitos pelos próprios cosplayers, embora haja também um grande grupo que os encomenda pela internet ou manda fazer.

Ao longo do tempo, fui aprendendo mais sobre o anime e as suas características. Com a internet, o acesso ficou mais fácil, mas ainda gosto de esperar que dêem na televisão ou comprar em DVD ou, ainda, ir ao cinema.

Aos poucos, fui descobrindo os diferentes géneros, mas também os temas e públicos-alvo, embora, para mim, fossem todos iguais. Ainda assim, dentro de cada tema existem os géneros terror, drama, comédia, fantasia, ficção científica, romance, musical, policial, thriller, suspense e ‘slice of life’, que correspondem a temas da vida quotidiana geralmente sem elementos fantásticos.

Os temas principais abrangem desporto, tecnologia e magia e os públicos-alvo vão desde crianças pequenas até adolescentes e adultos de ambos os sexos.

Tal como nos outros estilos e géneros de animação e não só, também aqui é muito difícil escolher um favorito. Na maior parte dos casos, a lista é demasiado longa. Por isso, para simplificar e também para ajudar um pouco os que estão a começar seja para continuar ou apenas por curiosidade, deixo algumas sugestões de séries e filmes que vi (e alguns continuo a ver) e que considero importantes para construir um caminho sólido na animação japonesa e também porque gostei deles particularmente.

Séries:

Como um bom livro ou filme, nada melhor que começar por aqueles que marcaram os anos 90 e, por isso, são considerados por muitos como ‘Clássicos’ da animação japonesa. São eles:

Sailor Moon (1992) – conta a história de Usagi Tsukino, uma garota normal e inocente de 14 anos — pelo menos, é isso que ela pensa — que um dia encontra Luna, uma gata falante que revela a identidade de Usagi como “Sailor Moon”, uma guerreira mágica destinada a salvar a terra das forças do mal.

Dragon Ball (1989) – A história de Dragon Ball (“Bola do Dragão”) conta as aventuras de Son Goku, um menino com cauda de macaco que mora na Montanha Paozu.

 – Pokémon (1995) – Ao completar dez anos, Ash Ketchum, um menino que sonha tornar-se Mestre Pokémon, pode finalmente começar a sua jornada em busca do seu sonho.

As ‘obrigatórias’ são as duas primeiras pois, como já referi, vão servir de referência para os próximos mas também porque foram as que maior impacto tiveram na minha vida não só em termos de desenho mas também e principalmente em termos de história e de valores transmitidos. Já para não falar que me animaram quando estava mais triste.

Filmes:

Depois, como sugestão de cinema, deixo-vos com alguns filmes que vi mais recentemente e que também causaram impacto pela sua maravilhosa animação e histórias cativantes como de resto é característico no anime. São produzidos pelos Estúdios Ghibli considerados a «Disney do Japão».

A Princesa Mononoke (1997) – Um príncipe, em busca de uma cura para uma misteriosa mancha negra, vê-se envolvido numa guerra entre a floresta e uma colónia mineira. Nesta aventura ele conhece Mononoke.

A Viagem de Chihiro (2001) – A família Ogino está de mudança para uma nova cidade. O casal, Akio e Yuko, está muito entusiasmado com a viagem. Mas, o mesmo não acontece com a sua filha Chihiro, uma menina de dez anos que está muito chateada por ter que deixar todas as suas lembranças e amigos de infância para trás. Nas mãos, ela carrega um buquê de flores, o último presente que recebeu antes de ir embora.

O Castelo Andante (2004) – Sophie acha que o seu destino é continuar com a chapelaria da família e não tem ambições. Certo dia quando saiu para visitar a irmã Lettie ela é importunada por alguns oficiais do exército mas é salva por um bonito jovem. Mas isso atrai a atenção da Bruxa do Nada que lhe lança um feitiço que a transforma numa velha. Ela decide sair de casa em busca de um modo de quebrar a maldição, mas não sabe para onde ir.

E com isto me despeço, por agora. Espero que desfrutem das sugestões tanto como eu.

Fecho este artigo com uma frase icónica adaptada da versão portuguesa de um anime icónico que deixo como sugestão e a qual recomendo a verem. Quem é fã reconhece, quem ainda não é, provavelmente já deve ter ouvido:

Não percam o próximo artigo porque eu também não!