Editorial #2 Jun./Jul. 2019

Dizem que o primeiro número de uma revista é o mais difícil. “O que custa é começar!”, ouvimos. O arranque custa, é certo. Mas continuar na estrada também não é fácil. Por isso é tão especial para nós estarmos aqui com o segundo capítulo desta aventura. E ter-vos desse lado.

Sem nada ter sido combinado, a comida e os seus prazeres estão no centro desta edição, com a entrevista que a Filipa fez ao Filipe Carvalho e o ensaio da Carla sobre a gula. A aproximação dos dois textos vai mais longe do que poderíamos pensar. Ambos falam sobre o prazer de comer, mas também sobre o custo dessa actividade que, em pleno século XXI, nos convoca, não apenas para as alegrias do palato, mas também para a reflexão sobre questões como as condições de vida dos que trabalham naquela área ou a necessidade de fazer escolhas responsáveis em termos ambientais locais e globais. Pecado ou não, os prazeres da mesa não são inocentes, para aqueles de nós que chegámos à idade adulta.

Para satisfazer outros apetites, outros temas fazem esta revista. Uma análise das recentes eleições europeias, pelo Luís Nascimento, convida-nos à reflexão, enquanto o Luís Ramos incentiva-nos a voar. E assim fazemos, voando para a Índia e para Nepal, no âmbito de um intercâmbio de estudantes feito pelo Manuel Nunes, e para o Quénia com Isabella.

Entre voos, uma leitura crítica de Bomarzo, pelo João Pedro e ficções, sempre ficções, com a Adriana e a Antónia. Também uma exploração do universo de Scorcese pelas mãos da Joana Gonçalves e uma introdução a um mundo tão diferente quanto apaixonante, a cultura pop japonesa, pela Joana Nascimento. Só para início de conversa.

“Natureza Morta com Doces e Barros”, Josefa de Óbidos (1676), Biblioteca Municipal Braamcamp Freire

Imagem em destaque: “Natureza Morta com Flores, Doces e Cerejas”, Josefa de Óbidos (1676), Biblioteca Municipal Braamcamp Freire .