A primeira vez que comi os tradicionais bolos ingleses tinha nove ou dez anos. Foi a minha mãe quem mos fez depois de eu lhe ter perguntado o que eram por estarem sempre a aparecer nos lanches de Os cinco. Sem recurso ao Google, a minha mãe lá descobriu que bolinhos eram aqueles e daí para a frente, passei a acompanhar as aventuras da Zé, Ana, Júlio, David e Tim, devidamente munida de um pratinho deles.

Tudo é válido para suportar a passagem do tempo neste regime domiciliário. Por serem tempos estranhos, finalmente, consegui dedicar o meu tempo à terceira temporada de Stranger Things.

Vivemos tempos estranhos. Viveremos tempos mais auspiciosos mesmo que as coisas tenham de piorar antes de melhorar. Haverá um mundo a construir após a pandemia. Grandes crises representam grandes perigos, mas também enormes oportunidades.

Como ciência que estuda o passado da humanidade, analisando os acontecimentos e processos já decorridos, a História tem ela própria sofrido ao longo do tempo transformações, decorrentes dos avanços científicos, das mutações políticas, sociais, económicas e culturais que lhe permitiram integrar novas abordagens, novas metodologias e novos campos de investigação.

Ainda hoje me surpreende o modo como os demais convivas não ouviram o meu coração a bater descontroladamente. Tinha-se instalado uma atmosfera de normalidade a partir do momento em que nos sentámos à mesa que apenas a mim, pelos vistos, parecia bizarra.

Andava eu num frenético zapping na plataforma Netflix, algures em 2017, quando dei de caras com um documentário com o título sugestivo de “O centro não consegue suster-se”. Li a sinopse e fiquei curiosa. O documentário pretendia retratar a vida de uma escritora/jornalista americana, de seu nome Joan Didion.

O ano de 2020 iniciou-se para mim com um peculiar toque de brasilidade, proporcionado por alguns dias de visita à região amazônica, cujo esplendor seduz de imediato, sem qualquer chance de escape, e permanece retido nas memórias de quem por lá se aventurou.

Sentam-se, quase colados, aproximam-se do telefone que ela segura exatamente no meio dos dois, onde as pernas e os ombros se tocam, e cada um fica com a ponta de um auricular. Sem uma palavra, concentrados, acabam por encostar as cabeças e ficam ali, alheados do mundo.